sábado, 25 de outubro de 2008
domingo, 19 de outubro de 2008
TODO MUNDO SONHA
Fiquei maravilhado com a redação de meu filho Júnior, de apenas oito anos de idade, ao descrever seu sonho. Há muito tempo não lia um texto com tantas aventuras vividas por uma criatividade tão singela e pura. A conexão entre os fatos e a forma da narração faz com que o sonho seja tão verossímel quanto a Bolsa de Valores ou a Taxa de Juros.
Faz-me acreditar mais em Cristo, que afirmou:
- Abençoadas sejam as crianças, pois delas é o Reino dos Céus.
Eis a redação:
Faz-me acreditar mais em Cristo, que afirmou:
- Abençoadas sejam as crianças, pois delas é o Reino dos Céus.
Eis a redação:
Todo Mundo Sonha.
Era noite eu sonhei que eu tava numa limusine em Paris e eu vi uma galinha e uma vaca caindo do céu e caiu em cima da limusine e eu sai correndo e fui parar em Marte e eu desci da espaçonave e aí eu parei no meio da rua e eu desmaiei. Meu amigo Gustavo me levou para o hospital aí eu fui assistir o jogo do São Paulo e Goiás e São Paulo ganhou do Goiás e ficou furioso pra caramba. E um jogador brigou com o jogador do São Paulo.
Cuiabá, 3 de outubro de 2008.
Clóvis Figueiredo Cardoso Junior
Era noite eu sonhei que eu tava numa limusine em Paris e eu vi uma galinha e uma vaca caindo do céu e caiu em cima da limusine e eu sai correndo e fui parar em Marte e eu desci da espaçonave e aí eu parei no meio da rua e eu desmaiei. Meu amigo Gustavo me levou para o hospital aí eu fui assistir o jogo do São Paulo e Goiás e São Paulo ganhou do Goiás e ficou furioso pra caramba. E um jogador brigou com o jogador do São Paulo.
Cuiabá, 3 de outubro de 2008.
Clóvis Figueiredo Cardoso Junior
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
QUEM DESMATA MAIS? LULA OU BLAIRO?
QUEM DESMATA MAIS? LULA OU BLAIRO?
Ontem, a imprensa destacou matérias sobre a responsabilidade pelo desmatamento da Amazônia, o que estaria pendendo entre dois pólos: o governo de Mato Grosso e seu Governador, plantador de soja, ou o Governo Federal e o Presidente Lula com os trabalhadores sem-terra clientes da Reforma Agrária.
Beira a estupidez essa falsa disputa. Os articuladores de idéias contra nossa soberania na Amazônia têm a cara-de-pau de tentar fazer-nos crer que o Lula do PT e dos Sem-terras ou o Blairo com seus produtores rurais são os culpados pelas mazelas do aquecimento global e da poluição mundial, eis que são os comandantes da “destruição” da floresta amazônica.
Antes de continuar, cabe afirmar que nenhum país do mundo, em toda a história, sofreu ou sofre tantas pressões “internacionais” sobre a “questão ambiental”. Podem pesquisar. Nem Chernobyl, nem Three Mille Islands, nem Bhopal. Nada se viu comparado ao que se vê no nosso país. Parece que o mundo só depende da água e do oxigênio que possuímos ou somos capazes de fornecer.
Bom, voltando ao assunto, temos que esse caso teve por episódio próximo passado, uma imensa carga de acusações e condenações contra os Estados detentores de parcelas da Floresta Amazônica e contra os produtores rurais e seus representantes políticos. O Governador Blairo Maggi, então, sofreu o ataque frontal dos “defensores da Amazônia”, pois além de ter o poder de estado capaz de “incentivar ou parar a destruição da Floresta” também era o maior produtor de soja do mundo. Vergado Blairo, o restante dos “desmatadores” quedariam derrotados.
Motosserra de Ouro, genocídio indígena, trabalho escravo, narcotráfico, contrabando etc, todas as mazelas resultantes das injustiças históricas de nossa formação social cabiam com perfeição no perfil de Mato Grosso e de Blairo Maggi.
Porém, os “protetores da Floresta” não contavam com a firmeza do Governador de Mato Grosso, que não fugiu ao debate, demonstrando a falsidade dos fatos descritos. Desmistificou acusações, apontou a manipulação de dados apresentados como “científicos”, enfim, desmascarou a campanha dos “protetores da Floresta” contra nosso Estado e contra nossa produção agrícola.
Para espanto de muitos, os produtores rurais mato-grossenses atacados fugiam do estereótipo chapéu de palha, calça desfiada, espera do tempo, barba por fazer, enfim, condicionado às intempéries. A defesa era feita com expressões que se pensava de centros financeiros e acadêmicos do planeta. Falavam em melhoramento genético, tecnologia agrícola, cultura intensiva, Bolsa de Boston, ‘commoditties’, dólar, tradings, logística, mercado externo etc
A campanha contra os produtores foi esfriada para não cair no ridículo.
Mas a essa campanha escondia o verdadeiro objetivo e por causa desse objetivo ela voltou com o mesmo ímpeto de antes. Agora, os pobre-coitados dos sem-terras que se humilharam por tempos embaixo de lonas pretas sob todo tipo de preconceitos e descaso, são os verdadeiros vilões do mundo. Sim, esses vagabundos, perturbadores da “ordem”, capitaneados pelo INCRA são os verdadeiros criminosos contra a ecologia do mundo (sim! Do mundo! Não esqueçam que a Amazônia pertence ao mundo).
Mas esse fato não pode ficar assim, barato... É necessário instigar a classe produtora e o Governador Blairo Maggi contra o Governo Federal e o Presidente aliado dos sem-terras desmatadores da Floresta Amazônica...Afinal de contas era Lula que acusava Blairo de ser o “motosserra de ouro”.
Esses articuladores da campanha são cínicos. Vergam os joelhos e a coluna vertebral para os mandantes do mundo e se arvoram em paladinos da ética, da moralidade e agora de protetores da ecologia.
O velho discurso do “Inferno Verde e Deserto Vermelho”, “Pulmão do Mundo”, “Patrimônio da Humanidade” “Reserva de Oxigênio do Planeta”, “Ùltima reserva Desabitada” etc etc são maquiados e reaparecem como se fossem a última descoberta da ciência.
Enquanto isso os automóveis e as máquinas despejam gases na atmosfera à custa do sangue de iraquianos, palestinos, georgianos e ameaças a tantos outros povos livres. No mesmo instante os canhões arpoam baleias para deleite gastronômico de castas sociais apodrecidas. A Floresta Negra é estudada nos restos de carvão das fábricas. O marfim ainda é comercializado em toda Europa, junto com chifres de rinoceronte na África do Sul. Pior que tudo isso, é o genocídio de povos africanos, saaruis, índios. Móveis de mogno e pau-brasil enfeitam as casas inglesas, etc.
Bom, nossa agricultura sem qualquer subsídio estatal bate em produtividade contra a americana e européia. Possuímos a maior parte da Floresta Amazônica com sua imensidão de terras, recursos genéticos, minerais, aqüíferos e outros. Descobrimos imensos campos de petróleo no pré-sal.
O que será que querem os “protetores da floresta” agora?
Nós não sabemos preservá-la tal como o se preservaram os rebanhos de “bois almiscarados” e os sioux, apaches, navajos, etc..?
O objetivo dessa pressão ambiental insana contra nosso país e nosso Estado é outra coisa e não a ecológica.
E o Presidente Lula e o Estado de Mato Grosso têm ciência disso.
Clóvis Figueiredo Cardoso, é advogado e militante do PMDB-MT
Ontem, a imprensa destacou matérias sobre a responsabilidade pelo desmatamento da Amazônia, o que estaria pendendo entre dois pólos: o governo de Mato Grosso e seu Governador, plantador de soja, ou o Governo Federal e o Presidente Lula com os trabalhadores sem-terra clientes da Reforma Agrária.
Beira a estupidez essa falsa disputa. Os articuladores de idéias contra nossa soberania na Amazônia têm a cara-de-pau de tentar fazer-nos crer que o Lula do PT e dos Sem-terras ou o Blairo com seus produtores rurais são os culpados pelas mazelas do aquecimento global e da poluição mundial, eis que são os comandantes da “destruição” da floresta amazônica.
Antes de continuar, cabe afirmar que nenhum país do mundo, em toda a história, sofreu ou sofre tantas pressões “internacionais” sobre a “questão ambiental”. Podem pesquisar. Nem Chernobyl, nem Three Mille Islands, nem Bhopal. Nada se viu comparado ao que se vê no nosso país. Parece que o mundo só depende da água e do oxigênio que possuímos ou somos capazes de fornecer.
Bom, voltando ao assunto, temos que esse caso teve por episódio próximo passado, uma imensa carga de acusações e condenações contra os Estados detentores de parcelas da Floresta Amazônica e contra os produtores rurais e seus representantes políticos. O Governador Blairo Maggi, então, sofreu o ataque frontal dos “defensores da Amazônia”, pois além de ter o poder de estado capaz de “incentivar ou parar a destruição da Floresta” também era o maior produtor de soja do mundo. Vergado Blairo, o restante dos “desmatadores” quedariam derrotados.
Motosserra de Ouro, genocídio indígena, trabalho escravo, narcotráfico, contrabando etc, todas as mazelas resultantes das injustiças históricas de nossa formação social cabiam com perfeição no perfil de Mato Grosso e de Blairo Maggi.
Porém, os “protetores da Floresta” não contavam com a firmeza do Governador de Mato Grosso, que não fugiu ao debate, demonstrando a falsidade dos fatos descritos. Desmistificou acusações, apontou a manipulação de dados apresentados como “científicos”, enfim, desmascarou a campanha dos “protetores da Floresta” contra nosso Estado e contra nossa produção agrícola.
Para espanto de muitos, os produtores rurais mato-grossenses atacados fugiam do estereótipo chapéu de palha, calça desfiada, espera do tempo, barba por fazer, enfim, condicionado às intempéries. A defesa era feita com expressões que se pensava de centros financeiros e acadêmicos do planeta. Falavam em melhoramento genético, tecnologia agrícola, cultura intensiva, Bolsa de Boston, ‘commoditties’, dólar, tradings, logística, mercado externo etc
A campanha contra os produtores foi esfriada para não cair no ridículo.
Mas a essa campanha escondia o verdadeiro objetivo e por causa desse objetivo ela voltou com o mesmo ímpeto de antes. Agora, os pobre-coitados dos sem-terras que se humilharam por tempos embaixo de lonas pretas sob todo tipo de preconceitos e descaso, são os verdadeiros vilões do mundo. Sim, esses vagabundos, perturbadores da “ordem”, capitaneados pelo INCRA são os verdadeiros criminosos contra a ecologia do mundo (sim! Do mundo! Não esqueçam que a Amazônia pertence ao mundo).
Mas esse fato não pode ficar assim, barato... É necessário instigar a classe produtora e o Governador Blairo Maggi contra o Governo Federal e o Presidente aliado dos sem-terras desmatadores da Floresta Amazônica...Afinal de contas era Lula que acusava Blairo de ser o “motosserra de ouro”.
Esses articuladores da campanha são cínicos. Vergam os joelhos e a coluna vertebral para os mandantes do mundo e se arvoram em paladinos da ética, da moralidade e agora de protetores da ecologia.
O velho discurso do “Inferno Verde e Deserto Vermelho”, “Pulmão do Mundo”, “Patrimônio da Humanidade” “Reserva de Oxigênio do Planeta”, “Ùltima reserva Desabitada” etc etc são maquiados e reaparecem como se fossem a última descoberta da ciência.
Enquanto isso os automóveis e as máquinas despejam gases na atmosfera à custa do sangue de iraquianos, palestinos, georgianos e ameaças a tantos outros povos livres. No mesmo instante os canhões arpoam baleias para deleite gastronômico de castas sociais apodrecidas. A Floresta Negra é estudada nos restos de carvão das fábricas. O marfim ainda é comercializado em toda Europa, junto com chifres de rinoceronte na África do Sul. Pior que tudo isso, é o genocídio de povos africanos, saaruis, índios. Móveis de mogno e pau-brasil enfeitam as casas inglesas, etc.
Bom, nossa agricultura sem qualquer subsídio estatal bate em produtividade contra a americana e européia. Possuímos a maior parte da Floresta Amazônica com sua imensidão de terras, recursos genéticos, minerais, aqüíferos e outros. Descobrimos imensos campos de petróleo no pré-sal.
O que será que querem os “protetores da floresta” agora?
Nós não sabemos preservá-la tal como o se preservaram os rebanhos de “bois almiscarados” e os sioux, apaches, navajos, etc..?
O objetivo dessa pressão ambiental insana contra nosso país e nosso Estado é outra coisa e não a ecológica.
E o Presidente Lula e o Estado de Mato Grosso têm ciência disso.
Clóvis Figueiredo Cardoso, é advogado e militante do PMDB-MT
domingo, 14 de setembro de 2008
A ABANDONADA E ESQUECIDA “ARTE RUPESTRE” DE JACIARA.



Li indignado a revista “SUPERINTERESSANTE”, edição 255-A, que trata dos “GRANDES MISTÉRIOS DA ARQUEOLOGIA”.
Embora a revista da Editora Abril, aparentemente, retrate temas ainda hoje inquietantes, como os faraós egípcios e suas tumbas e as civilizações Maia e Inca, por exemplo, peca com extrema ignorância ao omitir o SÍTIO ARQUEOLÓGICO DO VALE DAS PERDIDAS” em Jaciara, Mato Grosso. quando discorre sobre a presença humana nas Américas e no Brasil, entre as páginas 36 a 41.
Nessa matéria dá-se grande destaque ao Sítio do Parque Nacional da Serra das Capivaras, no Piauí, e, ao citar a “arte rupestre”, destaca novamente essa Serra, adicionando os sítios da Ilha do Campeche, em Santa Catarina, e o da Pedra do Ingá, na Paraíba, relevando as suas importâncias, consistentes em “um conjunto com 167 símbolos gravados” do primeiro, e o segundo em “um paredão de 20 metros de comprimento por 3 metros de altura com inscrições”
Traz ainda uma imagem de página e meia das inscrições rupestres da Serra da Capivara para ilustrar o artigo.
Ora, ora, o SÍTIO ARQUEOLÓGICO DO VALE DAS PERDIDAS em Jaciara-MT, possui pinturas com idênticas características e similitude inscritos em seus imensos paredões rochosos, e em tanta quantidade, que podem fazer as “magnitudes” da Ilha do Campeche” e da Pedra do Ingá” reduzirem-se ao nanismo.
A “deslembrança” da revista ao omitir esse fabuloso sítio mato grossense é grave erro científico e jornalístico.
As fotografias que tiramos em 1992, das quais postamos algumas, dão uma humilde demonstração do que falamos.
Talvez a omissão da SUPERINTERESSANTE seja escusável, em razão do descaso e abandono que esse Patrimônio da Nação Brasileira vem sendo submetido ao longo dos anos pelas autoridades públicas, particularmente pelo IPHAN, que tem a competência e responsabilidade institucional de geri-lo.
Não temos conhecimento de qualquer ato desse instituto, por mais pífio que seja, no sentido de efetivar pesquisa científica no sítio ou de tomar qualquer providência para preservá-lo.
Aliás, não temos conhecimento de qualquer gesto desse órgão em relação a qualquer coisa neste Estado de Mato Grosso.
Enquanto isso, SÍTIO ARQUEOLÓGICO DO VALE DAS PERDIDAS queda-se no esquecimento.
Cuiabá, 14 de setembro de 2008
Embora a revista da Editora Abril, aparentemente, retrate temas ainda hoje inquietantes, como os faraós egípcios e suas tumbas e as civilizações Maia e Inca, por exemplo, peca com extrema ignorância ao omitir o SÍTIO ARQUEOLÓGICO DO VALE DAS PERDIDAS” em Jaciara, Mato Grosso. quando discorre sobre a presença humana nas Américas e no Brasil, entre as páginas 36 a 41.
Nessa matéria dá-se grande destaque ao Sítio do Parque Nacional da Serra das Capivaras, no Piauí, e, ao citar a “arte rupestre”, destaca novamente essa Serra, adicionando os sítios da Ilha do Campeche, em Santa Catarina, e o da Pedra do Ingá, na Paraíba, relevando as suas importâncias, consistentes em “um conjunto com 167 símbolos gravados” do primeiro, e o segundo em “um paredão de 20 metros de comprimento por 3 metros de altura com inscrições”
Traz ainda uma imagem de página e meia das inscrições rupestres da Serra da Capivara para ilustrar o artigo.
Ora, ora, o SÍTIO ARQUEOLÓGICO DO VALE DAS PERDIDAS em Jaciara-MT, possui pinturas com idênticas características e similitude inscritos em seus imensos paredões rochosos, e em tanta quantidade, que podem fazer as “magnitudes” da Ilha do Campeche” e da Pedra do Ingá” reduzirem-se ao nanismo.
A “deslembrança” da revista ao omitir esse fabuloso sítio mato grossense é grave erro científico e jornalístico.
As fotografias que tiramos em 1992, das quais postamos algumas, dão uma humilde demonstração do que falamos.
Talvez a omissão da SUPERINTERESSANTE seja escusável, em razão do descaso e abandono que esse Patrimônio da Nação Brasileira vem sendo submetido ao longo dos anos pelas autoridades públicas, particularmente pelo IPHAN, que tem a competência e responsabilidade institucional de geri-lo.
Não temos conhecimento de qualquer ato desse instituto, por mais pífio que seja, no sentido de efetivar pesquisa científica no sítio ou de tomar qualquer providência para preservá-lo.
Aliás, não temos conhecimento de qualquer gesto desse órgão em relação a qualquer coisa neste Estado de Mato Grosso.
Enquanto isso, SÍTIO ARQUEOLÓGICO DO VALE DAS PERDIDAS queda-se no esquecimento.
Cuiabá, 14 de setembro de 2008
segunda-feira, 3 de março de 2008
SOBRE OS NOMES DE DEUS
No dia de meu aniversário, ano passado, minha irmã Ana Brígida presenteou-me com o 1º volume da obra escrita por Maimônides, "O Guia dos Perplexos".Nessa obra, o autor apresenta as idéias esotéricas contidas na Bíblia, especialmente a de não aplicar atributos a Deus. Maimônides, baseado em fontes judaicas, dialoga nesta obra, com partes das filosofias grega e árabe-mulçumana, além de se referir a um grande número de teorias, doutrinas e opiniões das mais variadas procedências. Busca explicar que a possível relação entre o texto bíblico e a tradição oral do Talmude por um lado, e a filosofia abstrata, por outro, possibilitaria o acesso da razão aos segredos contidos na Bíblia.
Maimônides escreveu esse livro, (pasmem!!!) no Século XII, quando viveu, e sua importância para o pensamento judaico pode ser comparada à de São Tomás de Aquino – que costumava chamá-lo de “Moisés, o Egípcio” – para a filosofia cristã católica.
Nasceu em ,1135, em Córdoba, Espanha e viveu boa parte da vida no Egito, morrendo em 1204. É considerado por muitos como o maior filósofo judeu de todos os tempos.
Ousei transcrever o Capítulo 61 do Livro para demonstrar um pouquinho da perplexidade que nos envolve a leitura dessa obra.
Maimônides escreveu esse livro, (pasmem!!!) no Século XII, quando viveu, e sua importância para o pensamento judaico pode ser comparada à de São Tomás de Aquino – que costumava chamá-lo de “Moisés, o Egípcio” – para a filosofia cristã católica.
Nasceu em ,1135, em Córdoba, Espanha e viveu boa parte da vida no Egito, morrendo em 1204. É considerado por muitos como o maior filósofo judeu de todos os tempos.
Ousei transcrever o Capítulo 61 do Livro para demonstrar um pouquinho da perplexidade que nos envolve a leitura dessa obra.
SOBRE OS NOMES DE DEUS
Todos os nomes de Deus encontrados nas Escrituras derivam das Suas ações - isto não deve ser esquecido - exceto um, e este é: . “Yôd He Váv Hê" . Este nome é aplicado exclusivamente a Deus e por isso é chamado de Shém Hameforásh, cujo sentido aponta para o significado preciso da essência de Deus, bendito seja, sem polivalência. De fato, Seus demais nomes gloriosos são polivalentes e derivam das Suas ações, assim como ocorre conosco, conforrne explicamos. Inclusive o nome aplicado em substituição ao "Yôd Hê Váv Hê" também deriva de adnút (senhorio, autoridade): "Falou o homem, senhor (adonê) da terra" (Gênesis 42: 30). A diferença entre pronunciar “adoni” (meu senhor), com chirík sob [a letra hebraica] Nun, e "Adonal', com camáts sob o Nun, é a mesma que entre “sarí” - cujo significado é hassár shelí (meu príncipe) - e "Sarai, esposa de Abrão (Gênesis 12: 17), que denota uma condição majestática e distinta dos demais. Também se diz de um anjo: "Adonai (Meu senhor)... não passes" (Gênesis 18: 3). Entretanto, eu lhe expliquei sobre utilizar particularmente o nome Adonai como substituto, por este ser o mais especial dos nomes conhecidos de Deus; seus demais nomes - como Daián (Juiz), Tsadik (Justo), Chanun (Misericordioso), Rachum (Clemente) e Elohim (Deus) - são todos nomes genéricos e derivados. Contudo, quanto ao "Nome", cujas letras são "Yôd Hê Váv He”, sua etimologia é desconhecida e não se aplica a nada além Dele. Não há dúvida de que este nome glorioso - que não é pronunciado, como você sabe, a não ser no Micdásh (Templo Sagrado) e tão somente pelos "sacerdotes santificados de Deus” na Bircát Hacohanim (Bênção Sacerdotal) e pelo Cohên Hagadol (Sumo Sacerdote) no Iom Hatsóm (Dia do Jejum) - aponta para algo que não é compartilhado entre Ele e suas criaturas. É possível que indique conforme a língua [hebraica] - da qual pouco conhecemos hoje em dia - e a sua pronúncia, a idéia de existência necessária. Por fim a grandiosidade deste nome e o cuidado para não pronunciá-lo decorrem do faro de este expressar a essência de Deus, de modo que nenhuma das criaturas compartilha do seu significado, conforme afirmaram os nossos Sábios (de abençoada memória) a respeito: "Meu Nome é exclusivo a Mim".
Assim, todos os demais nomes apontam para atributos - não para a essência, mas apenas para uma entidade dotada de atributos - pois são nomes derivados; por isso, induzem a pensar na pluralidade [de Deus], vale dizer: levam a pensar na existência de atributos e que há uma essência, com atributos a ela acrescidos. Este é o significado de todo nome derivado: ele aponta para uma idéia e um ser tácito, ao qual esta idéia está atrelada. Como foi demonstrado que Deus não é um ser ao qual se associam idéias, sabemos que esses nomes derivados relacionam-se à Sua atividade ou apontam diretamente para a Sua perfeição. É por este motivo que Rabi Chanina se enervava com a expressão "o Grande, Poderoso e Temível”, as duas razões mencionadas anteriormente: que estes levam a pensar em atributos essenciais, ou seja, que seriam perfeições existentes em Deus. À medida que estes nomes, derivados das ações de Deus, multiplicaram-se, induziram alguns a imaginar que Ele possui tantos atributos quanto o número de ações derivadas destes. Por isso, foi prometida aos seres humanos a concretização daquilo que lhes removerá esta dúvida - e foi dito: "Naquele dia YHVH será Um, e o Seu nome, Um" (Zacarias 14:9), o mesmo que dizer: assim como Ele é Um, do mesmo modo será chamado, então, por um único nome que apontará somente para a Sua essência, e não será [ um nome] derivado. Nos Pirkê Rabi Eliezer (Capítulos de Rabi Eliezer, capítulo 3) foi dito: "Antes de o Universo ter sido criado havia somente Hacadósh Baruch Hu (o Santíssimo, Bendito Seja) e o Seu nome". Veja como ele deixou claro que todos aqueles nomes derivados surgiram após o surgimento do universo; e isto é verdade, pois todos estes nomes surgiram em decorrência das Suas ações existentes no universo. De fato, quando você examinar a Sua essência, separada de toda ação, não haverá Nele absolutamente nenhum nome derivado, mas apenas um nome em particular que indica a Sua essência. Não existe entre nós outro "nome" que não seja derivado, exceto este, qual seja: "Yôd Hê Váv Hê", que é o Shém Hameforásh absoluto - e nem pense em algo diferente disso.
E que não alcance o seu pensamento a loucura dos escribas de cmeiót (amuletos, talismãs), nem aquilo que possa ouvir deles ou que seja encontrado em seus livros excêntricos, sobre os nomes que elaboraram, os quais a nada levam absolutamente, e que chamam de "shemót" (nomes); e acreditam que estes necessitam de "kedushá e tahará" (santificação e purificação) e que fazem milagres. Não convém que estas coisas sejam sequer ouvidas por uma pessoa íntegra, quanto mais acreditar nelas.
Nada pode ser chamado de Shém Hameforásh a não ser este Tetragrama ("Nome de Quatro Letras") escrito, mas não pronunciado, por meio de suas letras. E sobre o que está dito em Sifrê, "Assim abençoarei aos filhos de Israel" (Números 6:23), seu significado é: "Assim" nesta língua [hebraico] e "Assim" - por meio do Shém Hameforásh; e lá está escrito: "No Micdásh (Templo Sagrado) conforme está escrito e na Nação por seus substitutos"; e no Talmud é dito: "'Assim” - por meio do Shém Hameforásh. Você pergunta: 'Por meio do Shém Hameforásh ou por um nome que o substitua?' e o Talmud dirá: 'E porão o Meu nome' (Números 6:27) - 'O Meu nome, que Me é exclusivo'''.
Eis que já lhe foi explicado que o Shém Hameforásh é este Tetragrama e que somente ele leva à essência de Deus, sem associação a outra coisa, e sobre o qual nossos Sábios afirmaram: "Que Me é exclusivo". Apresentar-lhe-ei a razão que induziu as pessoas a acreditarem no conteúdo dos "shemót”, bem como explicarei o cerne desta questão e revelarei os seus segredos, de modo que não lhe reste dúvida, a menos que você queira se enganar. Veremos isto no próximo capítulo.
Todos os nomes de Deus encontrados nas Escrituras derivam das Suas ações - isto não deve ser esquecido - exceto um, e este é: . “Yôd He Váv Hê" . Este nome é aplicado exclusivamente a Deus e por isso é chamado de Shém Hameforásh, cujo sentido aponta para o significado preciso da essência de Deus, bendito seja, sem polivalência. De fato, Seus demais nomes gloriosos são polivalentes e derivam das Suas ações, assim como ocorre conosco, conforrne explicamos. Inclusive o nome aplicado em substituição ao "Yôd Hê Váv Hê" também deriva de adnút (senhorio, autoridade): "Falou o homem, senhor (adonê) da terra" (Gênesis 42: 30). A diferença entre pronunciar “adoni” (meu senhor), com chirík sob [a letra hebraica] Nun, e "Adonal', com camáts sob o Nun, é a mesma que entre “sarí” - cujo significado é hassár shelí (meu príncipe) - e "Sarai, esposa de Abrão (Gênesis 12: 17), que denota uma condição majestática e distinta dos demais. Também se diz de um anjo: "Adonai (Meu senhor)... não passes" (Gênesis 18: 3). Entretanto, eu lhe expliquei sobre utilizar particularmente o nome Adonai como substituto, por este ser o mais especial dos nomes conhecidos de Deus; seus demais nomes - como Daián (Juiz), Tsadik (Justo), Chanun (Misericordioso), Rachum (Clemente) e Elohim (Deus) - são todos nomes genéricos e derivados. Contudo, quanto ao "Nome", cujas letras são "Yôd Hê Váv He”, sua etimologia é desconhecida e não se aplica a nada além Dele. Não há dúvida de que este nome glorioso - que não é pronunciado, como você sabe, a não ser no Micdásh (Templo Sagrado) e tão somente pelos "sacerdotes santificados de Deus” na Bircát Hacohanim (Bênção Sacerdotal) e pelo Cohên Hagadol (Sumo Sacerdote) no Iom Hatsóm (Dia do Jejum) - aponta para algo que não é compartilhado entre Ele e suas criaturas. É possível que indique conforme a língua [hebraica] - da qual pouco conhecemos hoje em dia - e a sua pronúncia, a idéia de existência necessária. Por fim a grandiosidade deste nome e o cuidado para não pronunciá-lo decorrem do faro de este expressar a essência de Deus, de modo que nenhuma das criaturas compartilha do seu significado, conforme afirmaram os nossos Sábios (de abençoada memória) a respeito: "Meu Nome é exclusivo a Mim".
Assim, todos os demais nomes apontam para atributos - não para a essência, mas apenas para uma entidade dotada de atributos - pois são nomes derivados; por isso, induzem a pensar na pluralidade [de Deus], vale dizer: levam a pensar na existência de atributos e que há uma essência, com atributos a ela acrescidos. Este é o significado de todo nome derivado: ele aponta para uma idéia e um ser tácito, ao qual esta idéia está atrelada. Como foi demonstrado que Deus não é um ser ao qual se associam idéias, sabemos que esses nomes derivados relacionam-se à Sua atividade ou apontam diretamente para a Sua perfeição. É por este motivo que Rabi Chanina se enervava com a expressão "o Grande, Poderoso e Temível”, as duas razões mencionadas anteriormente: que estes levam a pensar em atributos essenciais, ou seja, que seriam perfeições existentes em Deus. À medida que estes nomes, derivados das ações de Deus, multiplicaram-se, induziram alguns a imaginar que Ele possui tantos atributos quanto o número de ações derivadas destes. Por isso, foi prometida aos seres humanos a concretização daquilo que lhes removerá esta dúvida - e foi dito: "Naquele dia YHVH será Um, e o Seu nome, Um" (Zacarias 14:9), o mesmo que dizer: assim como Ele é Um, do mesmo modo será chamado, então, por um único nome que apontará somente para a Sua essência, e não será [ um nome] derivado. Nos Pirkê Rabi Eliezer (Capítulos de Rabi Eliezer, capítulo 3) foi dito: "Antes de o Universo ter sido criado havia somente Hacadósh Baruch Hu (o Santíssimo, Bendito Seja) e o Seu nome". Veja como ele deixou claro que todos aqueles nomes derivados surgiram após o surgimento do universo; e isto é verdade, pois todos estes nomes surgiram em decorrência das Suas ações existentes no universo. De fato, quando você examinar a Sua essência, separada de toda ação, não haverá Nele absolutamente nenhum nome derivado, mas apenas um nome em particular que indica a Sua essência. Não existe entre nós outro "nome" que não seja derivado, exceto este, qual seja: "Yôd Hê Váv Hê", que é o Shém Hameforásh absoluto - e nem pense em algo diferente disso.
E que não alcance o seu pensamento a loucura dos escribas de cmeiót (amuletos, talismãs), nem aquilo que possa ouvir deles ou que seja encontrado em seus livros excêntricos, sobre os nomes que elaboraram, os quais a nada levam absolutamente, e que chamam de "shemót" (nomes); e acreditam que estes necessitam de "kedushá e tahará" (santificação e purificação) e que fazem milagres. Não convém que estas coisas sejam sequer ouvidas por uma pessoa íntegra, quanto mais acreditar nelas.
Nada pode ser chamado de Shém Hameforásh a não ser este Tetragrama ("Nome de Quatro Letras") escrito, mas não pronunciado, por meio de suas letras. E sobre o que está dito em Sifrê, "Assim abençoarei aos filhos de Israel" (Números 6:23), seu significado é: "Assim" nesta língua [hebraico] e "Assim" - por meio do Shém Hameforásh; e lá está escrito: "No Micdásh (Templo Sagrado) conforme está escrito e na Nação por seus substitutos"; e no Talmud é dito: "'Assim” - por meio do Shém Hameforásh. Você pergunta: 'Por meio do Shém Hameforásh ou por um nome que o substitua?' e o Talmud dirá: 'E porão o Meu nome' (Números 6:27) - 'O Meu nome, que Me é exclusivo'''.
Eis que já lhe foi explicado que o Shém Hameforásh é este Tetragrama e que somente ele leva à essência de Deus, sem associação a outra coisa, e sobre o qual nossos Sábios afirmaram: "Que Me é exclusivo". Apresentar-lhe-ei a razão que induziu as pessoas a acreditarem no conteúdo dos "shemót”, bem como explicarei o cerne desta questão e revelarei os seus segredos, de modo que não lhe reste dúvida, a menos que você queira se enganar. Veremos isto no próximo capítulo.
sábado, 9 de fevereiro de 2008
OS ÍNDIOS MORCEGOS DA SERRA DO RONCADOR
No mínimo são curiosas as fotografias publicadas na revista “SINA”, edição de novembro de 2007, nº 10, de múmias de “índios morcegos” que guardavam a entrada da caverna da Serra do Roncador, região de Barra do Garças, Mato Grosso, e de um suposto ser extraterrestre, que estão sob a guarda do Museu Wilson Estevanovic, sediado em Uberaba, Minas Gerais.
Faço a postagem das duas páginas dedicadas ao assunto reservando-me de expender qualquer opinião. Deliciem...
sábado, 19 de janeiro de 2008
TRILHA DE FOGO
Trilha de fogo: a rota da soja
Por Lúcio Flávio Pinto, 8/1/2006
Quem se der ao trabalho de examinar sucessivas imagens de satélites que captam fontes de calor, não terá dúvida: é de fogo a rota de expansão da soja na Amazônia. Enquanto o desmatamento na região diminuiu 31% do verão de 2004 para o verão de 2005, os focos de queimadas cresceram 1%. A discrepância já é um paradoxo. Mas há outro, muito mais grave: enquanto em Mato Grosso houve uma diminuição de 34% nas queimadas, em todos os Estados que fazem divisa com o maior produtor de soja do mundo, as taxas foram positivas.
O fogo, que encolheu em Mato Grosso, se expandiu por Rondônia, Pará e Acre, seguindo como diretriz as estradas. Quase 10% de todos os 159 mil focos de calor registrados na Amazônia até novembro deste ano se situaram em áreas onde, em 2004, não houve um único incêndio. Isto quer dizer que no ano passado nessas áreas houve grandes desmatamentos. No verão de 2005 a área desmatada, mas ainda "suja" por árvores, galhos e folhas, foi queimada. Logo surgirão os plantios de soja, ocupando enormes extensões contínuas onde, antes, havia floresta.
Mas não apenas soja: certamente essas frentes econômicas também estão à cata de madeira e à formação de pastagens. Visam ainda a apropriação ilegal de terras públicas. Os focos de fogo no interior de reservas indígenas e unidades de conservação cresceram 6%, mesmo ainda sendo as áreas menos suscetíveis à invasão e depredação. Não são invioláveis. Mas se não existissem o drama seria ainda maior. Infelizmente, a questão na Amazônia não é destruir ou não destruir, mas sim a escala e o tempo da destruição. O mestre de obras da região é a irracionalidade.
O sertão que cresce
Em 1972 foi proibida a exportação de madeira em toras da Amazônia. Na mesma época - como ainda hoje - a nação mais poderosa do mundo, os Estados Unidos, ainda se permitia mandar para outros países suas árvores em bruto. Vi com meus próprios olhos, no extremo noroeste, no Oregon, a destruição das últimas grandes concentrações de floresta nativa do país. As toras eram exportadas para o Japão. E ninguém achava nada de anormal nesse fato.
Significava que tínhamos e temos muito melhor consciência do problema? Talvez. Ou nem tanto. Dados estatísticos do IBGE mostram que 55% de toda madeira em tora que circulam pelo Brasil têm origem no Pará. E que apenas 10% dos municípios paraenses respondem por mais de 37% da produção de madeira bruta nacional. Esses municípios estão em áreas do chamado "Arco do Desflorestamento" (que já foi "Arco do Desmatamento" e parece a meio caminho, na sucessão de batismos, de acabar se consagrando como "Arco do Defloramento").
Mas Óbidos já faz parte dos 14 municípios paraenses com maior produção de toras (em 20 do ranking nacional). Isso significa que a investida sobre novas áreas de floresta continua, ignorando a tal da consciência. Se não mandamos madeira bruta para os estrangeiros, a enviamos para nossos irmãos do Sul, que a processam e nos devolvem na forma de produtos acabados. Como são mercadorias mais caras, se com o exterior nossa balança comercial é altamente superavitária, com nossos irmãos do Sul é extremamente deficitária. O que ganhamos do Japão ou da Europa, transferimos para o Sul Maravilha. Sem que essa sangria seja considerada motivo para discursos em defesa da soberania nacional, of course.
A expansão do desmatamento é tão acelerada que às vezes só nos damos conta de sua expressão quando ela já é realidade pronta e acabada. Na década de 70 um dos debates no Estado era se o primeiro trecho da PA-279 então aberto, entre Xinguara e São Félix do Xingu, devia ser concluído ou não. Mesmo sem a rodovia estadual, já havia intensa ocupação humana ao longo do traçado previsto. Mas se sabia que uma vez aberto o caminho, o processo se tornaria incontrolável. Como São Félix possuía muita floresta nativa e muitas áreas indígenas, pensava-se num plano, bem estruturado, que evitasse que a expansão continuasse a ser desordenada.
Hoje, São Félix do Xingu é o segundo município brasileiro em rebanho bovino, ocupando liderança destacada no Pará, com seu efetivo de mais de 17 milhões de cabeças, ou 17% do total do país. Se na época fosse realizado o levantamento de aptidão de uso em São Félix, como se pretendia, ninguém indicaria a pecuária como vocação. Agora que a situação está criada, o que não faltam são explicações para essa anomalia. Claro: ela se explica por causa do desmatamento. A Amazônia deixou de existir nessas áreas. A Amazônia propriamente dita está sendo acuada nos espaços que ainda não adquiriram valor de mercado. Enquanto isso, cresce o Centro-Oeste. Quer dizer: o sertão. João Guimarães Rosa é quem tinha razão: não há porteiras para o sertão. O Brasil, que na letra de Chico Buarque e Ruy Guerra se tornaria um imenso Portugal, está condenado a ser um grande sertão. Só veredas.
Por Lúcio Flávio Pinto, 8/1/2006
Quem se der ao trabalho de examinar sucessivas imagens de satélites que captam fontes de calor, não terá dúvida: é de fogo a rota de expansão da soja na Amazônia. Enquanto o desmatamento na região diminuiu 31% do verão de 2004 para o verão de 2005, os focos de queimadas cresceram 1%. A discrepância já é um paradoxo. Mas há outro, muito mais grave: enquanto em Mato Grosso houve uma diminuição de 34% nas queimadas, em todos os Estados que fazem divisa com o maior produtor de soja do mundo, as taxas foram positivas.
O fogo, que encolheu em Mato Grosso, se expandiu por Rondônia, Pará e Acre, seguindo como diretriz as estradas. Quase 10% de todos os 159 mil focos de calor registrados na Amazônia até novembro deste ano se situaram em áreas onde, em 2004, não houve um único incêndio. Isto quer dizer que no ano passado nessas áreas houve grandes desmatamentos. No verão de 2005 a área desmatada, mas ainda "suja" por árvores, galhos e folhas, foi queimada. Logo surgirão os plantios de soja, ocupando enormes extensões contínuas onde, antes, havia floresta.
Mas não apenas soja: certamente essas frentes econômicas também estão à cata de madeira e à formação de pastagens. Visam ainda a apropriação ilegal de terras públicas. Os focos de fogo no interior de reservas indígenas e unidades de conservação cresceram 6%, mesmo ainda sendo as áreas menos suscetíveis à invasão e depredação. Não são invioláveis. Mas se não existissem o drama seria ainda maior. Infelizmente, a questão na Amazônia não é destruir ou não destruir, mas sim a escala e o tempo da destruição. O mestre de obras da região é a irracionalidade.
O sertão que cresce
Em 1972 foi proibida a exportação de madeira em toras da Amazônia. Na mesma época - como ainda hoje - a nação mais poderosa do mundo, os Estados Unidos, ainda se permitia mandar para outros países suas árvores em bruto. Vi com meus próprios olhos, no extremo noroeste, no Oregon, a destruição das últimas grandes concentrações de floresta nativa do país. As toras eram exportadas para o Japão. E ninguém achava nada de anormal nesse fato.
Significava que tínhamos e temos muito melhor consciência do problema? Talvez. Ou nem tanto. Dados estatísticos do IBGE mostram que 55% de toda madeira em tora que circulam pelo Brasil têm origem no Pará. E que apenas 10% dos municípios paraenses respondem por mais de 37% da produção de madeira bruta nacional. Esses municípios estão em áreas do chamado "Arco do Desflorestamento" (que já foi "Arco do Desmatamento" e parece a meio caminho, na sucessão de batismos, de acabar se consagrando como "Arco do Defloramento").
Mas Óbidos já faz parte dos 14 municípios paraenses com maior produção de toras (em 20 do ranking nacional). Isso significa que a investida sobre novas áreas de floresta continua, ignorando a tal da consciência. Se não mandamos madeira bruta para os estrangeiros, a enviamos para nossos irmãos do Sul, que a processam e nos devolvem na forma de produtos acabados. Como são mercadorias mais caras, se com o exterior nossa balança comercial é altamente superavitária, com nossos irmãos do Sul é extremamente deficitária. O que ganhamos do Japão ou da Europa, transferimos para o Sul Maravilha. Sem que essa sangria seja considerada motivo para discursos em defesa da soberania nacional, of course.
A expansão do desmatamento é tão acelerada que às vezes só nos damos conta de sua expressão quando ela já é realidade pronta e acabada. Na década de 70 um dos debates no Estado era se o primeiro trecho da PA-279 então aberto, entre Xinguara e São Félix do Xingu, devia ser concluído ou não. Mesmo sem a rodovia estadual, já havia intensa ocupação humana ao longo do traçado previsto. Mas se sabia que uma vez aberto o caminho, o processo se tornaria incontrolável. Como São Félix possuía muita floresta nativa e muitas áreas indígenas, pensava-se num plano, bem estruturado, que evitasse que a expansão continuasse a ser desordenada.
Hoje, São Félix do Xingu é o segundo município brasileiro em rebanho bovino, ocupando liderança destacada no Pará, com seu efetivo de mais de 17 milhões de cabeças, ou 17% do total do país. Se na época fosse realizado o levantamento de aptidão de uso em São Félix, como se pretendia, ninguém indicaria a pecuária como vocação. Agora que a situação está criada, o que não faltam são explicações para essa anomalia. Claro: ela se explica por causa do desmatamento. A Amazônia deixou de existir nessas áreas. A Amazônia propriamente dita está sendo acuada nos espaços que ainda não adquiriram valor de mercado. Enquanto isso, cresce o Centro-Oeste. Quer dizer: o sertão. João Guimarães Rosa é quem tinha razão: não há porteiras para o sertão. O Brasil, que na letra de Chico Buarque e Ruy Guerra se tornaria um imenso Portugal, está condenado a ser um grande sertão. Só veredas.
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